Apolônias do Bem

Postado em 26/06/2020

O programa Apolônias do Bem, conduzido pela ONG Turma do Bem, oferece tratamento odontológico integral e gratuito a mulheres que vivenciaram situações de violência e tiveram a dentição afetada durante as agressões.

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As agressões incluem abuso físico, sexual e psicológico, negligência, abandono, ameaças, insultos e desvalorização: formas de violência que deixam marcas no corpo, no rosto e na mente.

O programa foi batizado com o nome da patrona dos dentistas. Apolônia de Alexandria, segundo historiadores cristãos, teria morrido no ano 249 após ser presa e ter os dentes quebrados e arrancados. 

Desde 2012, quando começou a ser desenvolvido, ele já garantiu atendimento de mais de 1.100 mulheres de todo o Brasil. As beneficiárias são selecionadas através de triagens realizadas em casas de apoio ou encaminhamentos através de parcerias com Comissões Especializadas de Tribunais de Justiça, como o de São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina e Minas Gerais.

Nas triagens, passam por um exame oral não invasivo e respondem ao OHIP (sigla de Oral Health Impact Profile – em que é medido o impacto do sorriso na vida dessas mulheres). São priorizadas as mulheres com problemas odontológicos mais graves, que sustentam a família e retomaram os estudos ou estão fazendo cursos de capacitação profissional.

Os tratamentos são oferecidos através de uma rede de dentistas voluntários, que realizam todos os procedimentos que as mulheres necessitam, independentemente da complexidade apresentada. Uma vez no programa, as Apolônias (como as beneficiárias são chamadas) e os profissionais que as atendem são acompanhados pelos funcionários da Turma do Bem até que os tratamentos se encerrem.

Inseridas num contexto de risco, as vítimas de violência possuem uma rede de auxílio muito considerável no Brasil, que garante atendimento médico, apoio psicológico e social, ensino profissionalizante e assistência jurídica. Entretanto, não havia assistência odontológica alguma.

Este dado é preocupante, pois a maior parte das agressões sofridas pelas mulheres são em seus membros superiores, no intuito de humilhá-las e deixa-las sem condições de pedir ajuda, afetando, assim, seus dentes.

A mulher, nesse contexto social, somada a sua grave situação bucal, perde a sua autoestima, deixa de se cuidar, se marginaliza e se anula. Com esse trauma representado em suas bocas, essas mulheres não conseguem empregos, têm vergonha de falar, sentem dores fortes, não conseguem se alimentar de forma correta e, por isso, muitas vezes, ela é impedida de sair do ciclo de violência, exatamente pelo fato de também dependerem financeiramente de seus parceiros.

Entretanto, mesmo quando a mulher é protegida e se afasta do agressor, as marcas da experiência traumática permanecem no rosto, na fala e no sorriso. Por isso, procurar ajuda para romper com ciclo de violência é uma prova de que ela tem esperanças de que sua vida possa melhorar.

Conheça a história da Tânia, uma mulher que teve sua dentição afetada após ser vítima de violência. Ela é uma das mais de mil mulheres já atendidas pelo programa Apolônias do Bem, da Turma do Bem.

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